domingo, 11 de dezembro de 2011

Sorri pra mim!

"E se passo horas sem dormir, é porque me falta teu corpo para abraçar, como um ursinho que acalenta, que me faz sentir aquela falsa segurança, que nesse jogo de crer, se torna verdade então, se é que não tenha sido nesse tempo todo veracidade.

Talvez seja inerente a meu ser acreditar que tudo aquilo que me é verdadeiro não esteja escrito em teus lábios como dos meus escorrem, amante calejado.

Talvez me tenha sido a vida cruel em seus jogos de ilusão e ensinado-me a refletir aquilo que me fosse entregue para não ser atravessado. Aprendi na marra a não ser vidro, e sim espelho.

Quando, porém, sinto-te em meus braços, viro novamente aquele pequeno eu não escaldado, abraçado no ursinho, não mais espelho temeroso, mas vidro, ou melhor... cristal, que se ouve, em ressonância, brilhante, quando encosta em ti."

Ta me ouvindo?

É natal. O fim do ano vem vindo.
De presente, distância.

No presente, distância.
Na distância, presente.

Na presença, distância.

Na distância, pressinto.
E, presumo, não minto.







quarta-feira, 10 de agosto de 2011

2:40am

Cala-te. Não consigo esboçar tua beleza enquanto pronuncias o verbo de teu "nosso amor".

É o lápis que encosta, para e recua. A folha provocada por tão sutil e fugaz parceiro. Companheiros tão confusos quanto eu em meu jogo de amar-te "no retrato", tal qual Pessoa.

Para o carvão em mãos, pois a ausência de tua ausência destrói o encanto da tua imagem, cuja gênese ao papel agora se priva.

Pisco,
e te perco por um segundo.
E me perdes para sempre.
E te perdes por um segundo.
E me perco para sempre.

Rascunho detalhado, presença que se faz ausente.
Amor não concretizado, aurora que se faz poente.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Compaixão.

E eu me lembro como você dizia que nunca iria embora, que estaria sempre comigo.

Por um momento achei que havia sido enganado mas, de fato... boas memórias ficam pra sempre.

Descanse em paz.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

étumus.

Mais uma noite passa, e eu junto a ela. Meu rosto pede descanso, os traços se confundem aos trapos. É preciso cessar esta sessão.

Fosse, ainda, por desejo de sucesso, mas não. É o medo, medo de desapontar alguém, novamente, que me move nessa sequência insana e cansativa, improdutiva.

Medo de novamente ser forçado a negar minhas inegáveis qualidades, de novamente me defrontar com meu maior defeito.

E minha saúde se esvai a taxas crescentes. Minha vontade se foi há tempos, mas quem precisa desta, ainda, afinal?

Morri sentado, velem-me de olhos abertos, que ainda faltam algumas páginas, aqui. Boa noite.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Cada segundo. Cada segunda.

Passa página. E ainda que as páginas virtuais não o demandem, lambe o dedo. Revive a mania.
Lambe o dedo. E sente o gosto doce, café com muito açúcar. Percebe o costume.
Muito açúcar. Mexe a colher depressa, solubiliza a dor. Nota a repercussão.
A dor.
dor.
or.
r.
.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Um ser humano se engana muitas vezes... sem ser humano se engana muito muito muito mais...

As palavras cruzadas, incompletas, descansam ao lado da xícara de café, vazia.
A lapiseira que seguro parece envolvida por algum tipo de óleo que me agonia, talvez produto meu. Seguro-a pela mera ilusão de que esta me torne propenso ao estudo, obviamente em vão. E o violão, deitado na cama, dorme o sono que deveria ser meu. E eu vivo a noite que deveria ser dele. Que deveria ser nossa. Bossa. Bosta!

Mais uma noite em silêncio.
Mais uma noite de música.